Por quê nós mulheres precisamos tanto, umas das outras?

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O papel da Sororidade

Muito se fala em sororidade, não julgamento, ansiedade, depressão, solidão, mas o que tenho visto de forma dolorosa nesses tempos de redes sociais, onde todo mundo tem uma vida perfeita e feliz, é que muita gente tem caído na armadilha da comparação e da combatividade.

Em um passado bem distante, nós mulheres, éramos segregadas e retiradas do ciclo social por nossa ciclicidade, por nossa relação com a natureza, com as fases da lua e por sangrarmos. Esse sentimento de exclusão, de alguma maneira, ainda ressoa em nós.

Naquela época fomos consideradas perigosas, não podíamos expressar nossa leveza, nossa alegria, carências, necessidades e tudo aquilo que envolvesse qualquer parte de nós.

Nossa voz foi calada por várias vezes, de maneira violenta, inclusive.

Foi preciso ir para a floresta, nos esconder entre as árvores para, iluminadas pelas chamas da fogueira, podermos dançar, cantar, sorrir, celebrar a amizade, a união, a justiça que tanto aspirávamos. Ali podíamos nos ver, podíamos existir.

Essa reunião secreta e genuína, entre mulheres, já teve diversos nomes, hoje se chama Círculo de Mulheres.

Naqueles momentos, qualidades como intuição, afetividade, sensibilidade, empatia, compaixão, espírito criativo, colaborativo, artístico, espiritualidade, sabedoria, subjetividade, poderiam existir livremente.

Era como uma boa conversa entre irmãs de alma, uma reunião de amigas, onde ser mulher não era perigoso e nem significava a força do mal.

Estávamos harmonizadas com a natureza e nossa essência selvagem, nossa consciência mais desperta, reverberava vida e autoamor.

Juntas éramos mais fortes.

As mudanças reais

Hoje vivemos com pressa, atarefadas, carregando pesos e culpas, que muitas vezes nem são nossos. Alimentamos dores silenciosas, que adoecem primeiro nossa alma, depois nossa mente e finalmente o corpo.

Buscamos incessantemente atender expectativas, vivemos anestesiadas tentando provar o quanto merecemos ter o que temos, estar onde estamos.

Aprendemos a julgar outras mulheres (como assim?), apontamos, apedrejamos, como grandes homens que aprendemos ser.

E no fundo, uma grande insatisfação nos invade, pois estamos desconectadas da nossa essência, da energia que fluía ao redor das antigas fogueiras.

Ainda assim, a clareza sobre esse fato não chega para todas, não temos tempo, o dia está curto demais para pensar nessa besteira, para pensar em nós!

Quando a dor chega de fato

Nos distanciarmos de quem somos, bloqueou nosso senso de liberdade, limitou nossos impulsos naturais, de criadoras e criativas, nos roubou a percepção de nutridoras que somos da energia desse planeta.

O preço que pagamos por essa desconexão é alto, e somente quando o corpo sente a expressão da doença, física, mental ou emocional que nos damos conta de que precisamos fazer algo por nós. Precisamos pedir ajuda.

Mas como? Se fomos, desde sempre, obrigadas a silenciar, a negar nossas emoções, nossas vontades e nossa liberdade! A gente dá conta, não é?

Seria maravilhoso poder desligar um pouco do mundo tecnológico e rotineiro, encontrar algum lugar onde podemos descobrir mais sobre nós mesmas, percebendo melhor nossos instintos e nossos ciclos.

Um lugar que se parecesse com as florestas de outrora, onde pudéssemos relembrar tudo o que nos encorajava, que fazia com que o mundo a nossa volta – e aquele que existe dentro de nós – pudesse mudar e uma nova consciência nos abraçasse.

Nesse lugar o conhecimento das nossas qualidades enquanto mulher, reativaria o aumento da autoconfiança, e desenvolvimento do amor-próprio, tão fragilizados na sociedade que vivemos atualmente.

O poder do Círculo de Mulheres

Quando estamos com outras mulheres em círculo, abrimos um espaço de cura, nos reconectamos com quem somos, a partir das histórias que ouvimos.

Nele também abrimos espaço para sentir no nível do coração e não da razão, como somos obrigadas a fazer diariamente. Ali, estamos livres do julgamento, da repressão.

A energia que nasce nesse processo cria um lugar de acolhimento, de aprendizado, de escuta, de reflexões, de choro, risos, onde somos ouvidas e vistas.

Em um círculo de mulheres nos afinamos umas com as outras através da identificação ou da diferença, ou seja, ao ouvir e aprender, aumentamos nossa caixinha de ferramentas que carregaremos pela vida, para usá-las em todos os momentos em que nos sentirmos perdidas, sozinhas.

Isso é verdadeiramente incrível!

Mas não pense que esse movimento é de exclusão, de rejeição ao que vem do mundo externo, não é uma contraposição ao masculino.

O patriarcado (símbolo da energia masculina em desequilíbrio) tornou-se um sistema central, a partir do qual, muitas soluções para a vida que temos hoje foi criada. Que bom! O masculino é necessário, mas não exclusivo.

Não precisamos negá-lo, mas permitir que tanto a nossa energia feminina, quanto a masculina, coexistam dentro de nós, em harmonia.

Feminino e masculino não são sinônimos de luta!

Cada qual precisa existir e expressar suas potencialidades, seus dons e habilidades, mas acima de tudo, o masculino e o feminino precisam se harmonizar dentro de nós.

Embora o passado já tenha passado, sabemos que, infelizmente, ainda é muito comum mulheres que sofrerem abusos de alguma forma e, naturalmente, vão desenvolver emoções como a raiva, medo ou muita dor em relação ao masculino, seja nos relacionamentos amorosos ou na própria figura paterna.

Algumas mulheres experimentam rejeição, machismo, opressão, dentro de suas próprias casas, desde a infância, gerando sequelas profundas no corpo, na alma e na vida.

Quando vamos para o mundo corporativo o masculino em nós é ainda mais ressaltado, devido à necessidade de competirmos, sermos mais objetivas e todo tempo termos que reagir, produzir, bater metas, prazos, para provarmos que merecemos o lugar onde estamos, que temos direito a uma carreira, ao sucesso, que merecemos o dinheiro, a independência e o poder de escolha que conquistamos.

Negamos nossa ciclicidade, nossas fases, escondemos nossos momentos de introspecção, nossa necessidade de pausar, nossa culpa por deixar nossos filhos, por não pensarmos em nós, sob risco de perder o tempo, de perder o lugar, de sermos substituídas, não reconhecidas.

Como encontrar um caminho seguro?

Os Círculos de Mulheres são uma excelente oportunidade de cura. Quando estamos juntas desenvolvemos a Consciência Selvagem que toda mulher carrega latente dentro de si.

Libertamos a loba, reconhecemos a anciã, a mãe e a menina em nós.

Entendemos que todas somos uma, que podemos curar e nos curar de muitas dores, além de ressignificar situações que parecem não ter solução, ou uma saída.

Acolhemos com amor e compaixão, também somos acolhidas, somos vistas e podemos falar, assim tudo fica mais leve.

Em cada Mulher Contemporânea existe uma Mulher Sagrada, muitas vezes esquecida e não desperta, mas que está ali, pronta para acordar e se transformar.

São muitos séculos de um sistema no qual se subestima a força e a voz feminina.

Um sistema que embora esteja tentando se moldar aos novos tempos, ainda nos segrega às tarefas “típicas de mulheres”, onde nossas escolhas fora dos padrões, muitas vezes incomodam.

Perdidas na rotina estressante de trabalho, casa, filhos e contas para pagar, competição, assédio, busca por um sucesso sem sentido que nem faz sentido, frustração, medo, insatisfação, muitas mulheres estão encontrando no resgate e cura do seu feminino, a reconexão com a sua própria essência.

Ao se reconectarem com a sabedoria ancestral, despertam a sabedoria interna, liberam o acesso ao caminho do coração e da feminilidade.

Dessa maneira param de olhar para fora e passam a olhar para dentro.

Isso significa que, em um ambiente acolhedor e seguro, é possível se entregar ao processo de autodescoberta e, finalmente, virar a chave para as mudanças que precisarão acontecer.

É quando aprendemos a verdadeira clareza do ser, antes do ter.

Descobrimos a beleza de saber quem somos, o que queremos, do que precisamos e qual caminho nos faz felizes.

É o grande momento, quando a reconexão é restabelecida e nossas células se reconectam com nossa alma!

Nosso peito se enche de propósito e coragem, nossa mente se enche de ideias e partimos para criar e executar o plano perfeito, nos tornamos luz, somos capazes de iluminar com segurança nossos próprios passos e o de outras pessoas!

Nossa alma pode falar, finalmente, fazendo o corpo todo pulsar e ativar nossa capacidade de encontrar novos caminhos e oportunidades!

Os sonhos voltam a ser nossos, e agora, vamos focar em realizá-los! O conceito que abrange a consciência da energia feminina e a força de se curar, se restabelece quando mulheres se encontram.

E como sei de tudo isso?

Como Terapeuta Sistêmica de Saberes Femininos, já vivi vários Círculos e formei outros.

E por isso, te convido a seguir nessa jornada comigo, tenho certeza que você não será a mesma depois que viver essa experiência.

É hora de se permitir e deixar o novo chegar!

Existe um caminho que não inclui ansiolíticos e antidepressivos. Um caminho de escuta e leveza.

Nesse caminho, você retoma as rédeas da sua vida, conduz na direção dos seus sonhos e deixa de viver a síndrome do Castelo de Areia, na qual a sensação de tanto esforço por nada te consome.

Esse pode ser o seu Chamado e ele não cessará, até você dizer sim para uma vida mais plena, leve e feliz, na qual suas alegrias serão resultado de construções e conexões mais saudáveis, sem culpa ou julgamento.

É chegada a hora da cura, somos os únicos portais capazes de trazer outros seres humanos para esse planeta, através de um feminino empoeirado e fortalecido, contribuiremos para o desenvolvimento de uma nova geração, mais amorosa e empática.

Lindo, não é?

Meu Círculo de Mulheres se chama Consciência Selvagem e eu espero você, para juntas, curarmos o feminino no mundo.

Beijos com cheirinho de flor.

Elaine Cerqueira.

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Mude sua forma de ver as coisas que as coisas mudam!
Quando você se torna uma mulher livre, todas as outras se tornam livres também!
Você não vai agradar todo mundo, E está tudo bem!
O Ambiente que você vive determina se você avança ou retrocede!
“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. ”
Guimarães Rosa.
Persista a única pessoa que pode determinar se você é capaz ou não de algo é você mesma!
E você sabe que é capaz!
CONTINUE!
Você é importante! Não tenha medo de se priorizar e seguir na direção do que te faz bem!
Não se sinta culpada por fazer o que é melhor para você!
Ervas, meditação e auto-observação são os pilares dessa sabedoria que já existe em cada mulher, precisamos apenas resgatá-la!
Você precisa aprender a liderar a sua própria vida!
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